O Gato Branco

Era uma manhã de segunda-feira, quando os moradores da rua São José acordaram com gritos desesperadores, era dona Ermínia: alguém matou meu gato! Alguém matou meu gato!
Todos foram para fora e lá estava o felino: rodeado de formigas que dominavam seu corpo, com a boca entreaberta, sua língua já não tinha cor, seus olhos estavam fixos para o nada, algumas regiões estavam totalmente devastadas com marcas de espancamento.
Uma das moradoras, dona Cátia, apoiou num pedaço de madeira e com a garganta dolorida pronta a se render ao choro, se segurou e ficou ali em seu suporte só observando.
Pobre gato branco, que passou sua vida rodeando as caixas de areia ao lado da prefeitura, dormia na calçada, subia nos telhados das casas e as vezes entrava na casa de algumas pessoas em busca de algo, não se sabe o porquê, isto é um mistério! Uns acreditam que a carência fosse sua real razão, outros acreditavam que só quisesse afeto, pobre gato! Nem vivo está para se defender dos maus olhados.
Mas como será que a dona do bichano está? Alí! Dona Ermínia chamando Juan, o seu filho, para ver o felino que estava exposto a raios solares, enquanto todos estavam ao redor curiosos, sim, curiosidade foi talvez o motivo que fez dona Tereza largar suas panelas para ir ver o fato. Mas, rapidamente voltou desesperada por ter deixado o feijão queimar.
Logo toda aquela situação teve seu fim: o senhor Antônio chegou e logo enrolou a criatura e levou-o para um lugar onde ele pudesse ficar, ou melhor dizendo, enterrá-lo em um quintal baldio que ali perto ficava. Dona Ermínia não quis levá-lo ao veterinário para que pelo menos pudesse ser enterrado decentemente (se é que existe morte decente), disse que não iria dar em nada e que o bichano já estava em seus últimos suspiros. Consequentemente, era agonizante toda aquela situação.
Instantaneamente, todos voltaram as suas vidas. E, em menos de 24 horas, o assunto morreu: acabou-se, no dia seguinte, a família de dona Ermínia estava completamente esquecida do fato, será só um gato nada demais! Mas caro leitor, saiba que o gato foi só um aviso para alertar os moradores que naquela comunidade poderia estar escondido um assassino. Pense comigo: se uma pessoa for capaz de matar um pobre gato, o que garante a segurança que não irá matar uma pessoa? O mistério agora era inusitado: quem matou o gato?
Por Letícia Vitória

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